me identifico com a torneira de água quente da pia do meu banheiro. raramente, os outros encontram utilidade nela, mas uns poucos gostam bastante. toda vez que a abrem, ela dá uma espécie de tossida e faz um som engraçado, exatamente igual a mim quando desabafo, quando resolvo parar de guardar tanta coisa, que somada com todos os cigarros já fumados, me trará um câncer antes da hora. mas por mais defeitos que tenha a torneira, ela tem um diferencial: água quente. ela esquenta, ela deixa um simples ato como lavar o rosto mais suportável. e esse sou eu na vida de (quase) todos que me rodeiam. eu tento estar ali pra deixar as situações mais agradáveis, mais suportáveis. procuro ser uma opção, e não obrigo ninguém a me escolher; gosto de saber que as pessoas são livres, assim como eu. e o calor que a torneira produz é um calor de quem cuida, de quem quer envolver aquele que gosta.
mas, da mesma forma que a torneira de água quente, eu costumo ficar do lado esquerdo e as pessoas até olham pra mim, mas esquecem o que eu tenho aqui dentro.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
vômito.
tenho essa necessidade de tirar tudo o que eu sinto de dentro de mim. tirar as dores, as mágoas, as risadas, o amor, tirar o peso da consciência e das costas. fico vazio, detesto ficar cheio, detesto ter no que pensar. mas meu jeito não é demonstrar. não consigo despejar uma lágrima, não consigo fazer uma declaração sem me sentir ridículo, não consigo me divertir sem ter medo de passar uma certa vergonha. por isso vomito. vomito palavras em folhas amareladas sem linha, porque odeio me sentir limitado por aqueles riscos azuis. vomito letras de música que quase nunca são divulgadas ou vão pra frente. vomito um ou outro absurdo pra uma pessoa querida de uma forma descontrolada, sem razão e educação. como qualquer vômito, ele te faz se sentir pior na hora: você sente enjôo, as palavras fogem, você detesta o que escreveu, você tem preguiça de passar do papel para o computador, você não quer divulgar, você corrige coisas sem sentido sobre você, que na verdade não têm sentido mesmo, porque você não consegue se entender; mas também traz alívio. conseguir se explicar, conseguir fazer os outros te entenderem, por mais falha que seja a sua tentativa, conseguir exprimir o tanto que se passa dentro de você. mas como a gente sabe, vomitar é negativo, vomitar é ruim, significa que o instinto do corpo tá falando mais alto que a mente, que a gente precisa por pra fora pra se sentir melhor. então não vomitem, simplesmente vivam, não deixem o momento passar. não guarde as coisas pra você, divida, deixe os outros te conhecerem, antes que seja tarde demais...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
i am
não sou uma coisa concreta. talvez nunca seja, estou sempre mudando, mas todos nós estamos. sou uma mistura do que me falam, do que eu penso, do que eu acho, do que eu duvido, do que eu quero, do que eu experimento. sou uma mistura dos meus vícios, dos meus amigos, das minhas amadas, das minhas músicas. sou um pouco da comida que gosto e outro pouco de criatividade. sou um pouco de óculos escuros, nuvens, karma. tudo o que eu sou passa por mim de forma imperceptível, e me acrescenta muito. tudo que eu visto, leio, vejo, fotografo, escuto, sinto, sofro, planejo, tudo. tudo. faz parte de mim essa mistura, essa beleza, essa feiúra, esse desgosto constante com quem eu sou. faz parte de mim o pensar excessivo, o café às três da tarde e um banho ao acordar. as bocas, as curvas, os perfumes, a aliança enterrada no meio das tralhas que nem brilha mais e eu nem faço questão. eu sou os outros textos, os outros tênis, os outros toques. eu sou as páginas escritas, todas elas, mas sou ainda mais as páginas em branco.
eu sou uma pessoa desesperada pra se encontrar. ou melhor, pra te encontrar.
eu sou uma pessoa desesperada pra se encontrar. ou melhor, pra te encontrar.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
j'adore
i gotta feeling. não, não é uma música de sucesso que já irritou de tanto tocar. é uma declaração, uma confissão, quase um pedido. eu tenho um sentimento que eu já até desisti de traduzir, de dar nome, de explicar. eu tenho um sentimento que eu já desisti de sentir. tanta coisa mexe com ele, tanta coisa toca nele e faz ele querer dar sinal de vida, mas eu aprendi a viver sem ele. porque eu não sei lidar com o que eu não entendo, e esse pode ser o meu maior defeito. eu só encaro aquilo que eu sei que posso vencer, e isso faz de mim um covarde. já fui vencido uma vez, talvez duas, ou talvez mais que isso. mas não sei mais cair, não sei mais confiar cegamente, não sei mais escrever fofurinhas numa mensagem de texto antes de dormir. mas eu lembro como era. espontâneo, gostoso. lembro que me fazia dormir em paz.
mas ter consciência de tudo isso é um pouco incômodo, e ter consciência de que isso não é imutável, e que você só precisa se esforçar um pouco (seria besteira eu dizer "se esforçar mais" já que eu não me esforço nada) incomoda ainda mais.
mas ter consciência de tudo isso é um pouco incômodo, e ter consciência de que isso não é imutável, e que você só precisa se esforçar um pouco (seria besteira eu dizer "se esforçar mais" já que eu não me esforço nada) incomoda ainda mais.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
funny.
é muito engraçado a maneira como as coisas vão do fundo do poço ao sorriso no rosto. a gente passa o dia reclamando, sofrendo por antecipação, imaginando situações ruins só pra se sentir pior (nem sempre com consciência disso), passando calor ou frio, perdendo a paciência com a demora no ponto de ônibus. o pior ponto do dia realmente é quando nem um cigarro na varanda te alivia da sensação de incompetência.
antes de dormir, no entanto, aquela falsa sensação de proximidade que você tem ao falar com as pessoas que voce gosta salvam o dia, que pode até ter uma alegre surpresa no fim.
sei lá, não tô fazendo disso um diário (voluntariamente), só escrevo isso porque sei que muita gente se sente assim.
antes de dormir, no entanto, aquela falsa sensação de proximidade que você tem ao falar com as pessoas que voce gosta salvam o dia, que pode até ter uma alegre surpresa no fim.
sei lá, não tô fazendo disso um diário (voluntariamente), só escrevo isso porque sei que muita gente se sente assim.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
maybe.
talvez não seja nosso destino ficarmos juntos, mas eu realmente gostaria que fosse. talvez tudo aquilo que eu já fiz e, principalmente, o que você já fez pra isso ser realidade não tenha sido suficiente, mas eu acho que há mais a ser feito. talvez finalmente tudo que eu sonhei que pudesse acontecer de ruim nessa nossa história tenha acontecido, mas não encaro isso com um fim. pode ser que sejamos infantis, imaturos e sonhadores (ou que esse seja apenas eu), mas sinto que tem muito chão pra construirmos nossas conquistas. juntos, separados, ou “juntos-mas-não-juntos”. acho que até mesmo quando eu não consigo me suportar, você acha forças para tal. acho que você vê em mim mais do que eu julgo ser, mas consigo ser mais por você acreditar. sempre ignorei sentir um certo medo perto de você, e agora parece meio claro pra mim que esse medo podia não indicar uma coisa errada, mas sim uma coisa certa. é uma coisa de louco, e ainda tem tanta coisa nisso tudo que eu não conto. não conto pra ninguém, não conto mais meses, não conto mais tempo. é no dia-a-dia, é na história, é em mim. é meio intenso, é parecido, mas é radicalmente diferente. é intenso, é fogo, labareda, fumaça que encobre minha visão e me faz tomar decisões erradas. é ver que eu ainda posso crescer demais. é certo, é como tem que ser, mas é errado. errado como tem sido, como os outros queriam que fosse, como eu fingi apoiar.
“prickly little brunette named after the season i hate the most”. realmente, parece que eu confundi tudo até agora.
“prickly little brunette named after the season i hate the most”. realmente, parece que eu confundi tudo até agora.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
desespero.
sabe quando você sente que tudo até agora foi culpa sua? que até os erros dos outros não eram tão grandes assim, você que foi intolerante? sabe quando você percebe que você teve um zilhão de chances de se arrepender, mas tá aproveitando o único momento inoportuno em uns 4 anos (vulgo agora)? se eu bem me conheço, tudo isso vai passar da maneira mais sem coração possível, igual sempre, mas e se não passar? será que é uma maldição? você só percebe quando suas chances já se esgotaram? não consigo mais pensar em trauma, em cadeira, em passado, só consigo pensar no que vai ser.
eu quero tanto, tanto estar errado. muito mesmo.
eu quero tanto, tanto estar errado. muito mesmo.
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