segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

i am

não sou uma coisa concreta. talvez nunca seja, estou sempre mudando, mas todos nós estamos. sou uma mistura do que me falam, do que eu penso, do que eu acho, do que eu duvido, do que eu quero, do que eu experimento. sou uma mistura dos meus vícios, dos meus amigos, das minhas amadas, das minhas músicas. sou um pouco da comida que gosto e outro pouco de criatividade. sou um pouco de óculos escuros, nuvens, karma. tudo o que eu sou passa por mim de forma imperceptível, e me acrescenta muito. tudo que eu visto, leio, vejo, fotografo, escuto, sinto, sofro, planejo, tudo. tudo. faz parte de mim essa mistura, essa beleza, essa feiúra, esse desgosto constante com quem eu sou. faz parte de mim o pensar excessivo, o café às três da tarde e um banho ao acordar. as bocas, as curvas, os perfumes, a aliança enterrada no meio das tralhas que nem brilha mais e eu nem faço questão. eu sou os outros textos, os outros tênis, os outros toques. eu sou as páginas escritas, todas elas, mas sou ainda mais as páginas em branco.

eu sou uma pessoa desesperada pra se encontrar. ou melhor, pra te encontrar.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

j'adore

i gotta feeling. não, não é uma música de sucesso que já irritou de tanto tocar. é uma declaração, uma confissão, quase um pedido. eu tenho um sentimento que eu já até desisti de traduzir, de dar nome, de explicar. eu tenho um sentimento que eu já desisti de sentir. tanta coisa mexe com ele, tanta coisa toca nele e faz ele querer dar sinal de vida, mas eu aprendi a viver sem ele. porque eu não sei lidar com o que eu não entendo, e esse pode ser o meu maior defeito. eu só encaro aquilo que eu sei que posso vencer, e isso faz de mim um covarde. já fui vencido uma vez, talvez duas, ou talvez mais que isso. mas não sei mais cair, não sei mais confiar cegamente, não sei mais escrever fofurinhas numa mensagem de texto antes de dormir. mas eu lembro como era. espontâneo, gostoso. lembro que me fazia dormir em paz.
mas ter consciência de tudo isso é um pouco incômodo, e ter consciência de que isso não é imutável, e que você só precisa se esforçar um pouco (seria besteira eu dizer "se esforçar mais" já que eu não me esforço nada) incomoda ainda mais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

funny.

é muito engraçado a maneira como as coisas vão do fundo do poço ao sorriso no rosto. a gente passa o dia reclamando, sofrendo por antecipação, imaginando situações ruins só pra se sentir pior (nem sempre com consciência disso), passando calor ou frio, perdendo a paciência com a demora no ponto de ônibus. o pior ponto do dia realmente é quando nem um cigarro na varanda te alivia da sensação de incompetência.
antes de dormir, no entanto, aquela falsa sensação de proximidade que você tem ao falar com as pessoas que voce gosta salvam o dia, que pode até ter uma alegre surpresa no fim.

sei lá, não tô fazendo disso um diário (voluntariamente), só escrevo isso porque sei que muita gente se sente assim.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

maybe.

talvez não seja nosso destino ficarmos juntos, mas eu realmente gostaria que fosse. talvez tudo aquilo que eu já fiz e, principalmente, o que você já fez pra isso ser realidade não tenha sido suficiente, mas eu acho que há mais a ser feito. talvez finalmente tudo que eu sonhei que pudesse acontecer de ruim nessa nossa história tenha acontecido, mas não encaro isso com um fim. pode ser que sejamos infantis, imaturos e sonhadores (ou que esse seja apenas eu), mas sinto que tem muito chão pra construirmos nossas conquistas. juntos, separados, ou “juntos-mas-não-juntos”. acho que até mesmo quando eu não consigo me suportar, você acha forças para tal. acho que você vê em mim mais do que eu julgo ser, mas consigo ser mais por você acreditar. sempre ignorei sentir um certo medo perto de você, e agora parece meio claro pra mim que esse medo podia não indicar uma coisa errada, mas sim uma coisa certa. é uma coisa de louco, e ainda tem tanta coisa nisso tudo que eu não conto. não conto pra ninguém, não conto mais meses, não conto mais tempo. é no dia-a-dia, é na história, é em mim. é meio intenso, é parecido, mas é radicalmente diferente. é intenso, é fogo, labareda, fumaça que encobre minha visão e me faz tomar decisões erradas. é ver que eu ainda posso crescer demais. é certo, é como tem que ser, mas é errado. errado como tem sido, como os outros queriam que fosse, como eu fingi apoiar.

“prickly little brunette named after the season i hate the most”. realmente, parece que eu confundi tudo até agora.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

desespero.

sabe quando você sente que tudo até agora foi culpa sua? que até os erros dos outros não eram tão grandes assim, você que foi intolerante? sabe quando você percebe que você teve um zilhão de chances de se arrepender, mas tá aproveitando o único momento inoportuno em uns 4 anos (vulgo agora)? se eu bem me conheço, tudo isso vai passar da maneira mais sem coração possível, igual sempre, mas e se não passar? será que é uma maldição? você só percebe quando suas chances já se esgotaram? não consigo mais pensar em trauma, em cadeira, em passado, só consigo pensar no que vai ser.
eu quero tanto, tanto estar errado. muito mesmo.

domingo, 16 de agosto de 2009

âmago.

saudade de mim define muita coisa agora. de quem eu era, do que eu fazia, do jeito que eu levava a vida que eu tinha. hoje as coisas estão mais longe, o tempo é muito mais curto e faz um frio muito forte.não tô falando de distância, de atraso ou do clima. é tudo (como sempre, há quem diga) sobre mim, sobre quem eu sou. ainda é difícil entender que passado é passado e não volta. superação já existe no meu dicionário, mas foi um verbete que eu demorei pra achar. descobri, nesse mesmo dicionário, que dor admite múltiplas interpretações, e a minha agora é diferente. acho que meu grande problema é sentir tanta saudade, mas eu sei que eu não sou o único. queria prender alguns momentos na porta do meu quarto, pra que eu os visse todo dia na hora de dormir, ou então antes de sair pra trabalhar. queria que desse mais tempo de tirar fotos de quem eu gosto, e guardar esses sorrisos de papel na minha carteira, ou então na porta do quarto, junto com aqueles momentos todos. queria que o meu cachorro durasse pra sempre, porque ele é o ser vivo que passa mais tempo junto comigo. enfim, queria juntar tudo numa coisa só, no melhor estilo Teatro Mágico: com trocadilhos, poesia e risada. acho que é porque quem tem tudo ao mesmo tempo não tem saudade.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

storm.

quero que minha vida vire de ponta-cabeça de novo. não, não sou louco e nem incoerente. eu quero uma bagunça, eu quero desorganização, eu quero pés fora do chão, mas eu quero sorriso. eu quero gargalhada, eu quero abraço, eu quero a mais pura zona. eu não posso reclamar de nada, e nem quero. eu só tô dizendo que eu não nasci pra monotonia. eu nasci pra telefonemas de madrugada, pra fotos noturnas que arrancam suspiros. eu nasci pra correria, pra surpresas em dias aleatórios, nasci pra cartinhas idiotas de pessoas apaixonadas. mas eu não nasci pra dormir abraçado: eu preciso do meu espaço. eu preciso dele pra devorar uns livros, encher meu corpo de cafeína e falar da vida com o meu melhor amigo. eu preciso de tempo pra compor com a minha banda, pra beber num bar e não ter hora pra chegar em casa.
eu preciso de equilíbrio, mas eu quero a bagunça.
volto atrás. sou incoerente. mas sou eu.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

quiet.

silêncio é perigo que corre por todos os lados. chega sorrateiro, afaga e acalenta, mas envenena. envenena de tal maneira que ninguém consegue passar muito tempo em silêncio: ou chora alto, ou grita, ou ri, ou canta. a música. a música não é inimiga do silêncio, ela é próxima dele. suscita tantos sentimentos quanto o próprio silêncio seria capaz de gerar numa mente confusa, perdida. sabe quando aquela música acaba, e aqueles dois míseros segundos entre ela e a próxima se tornam uma eternidade? o silêncio inunda, afoga; ele é prudente, cauteloso e frio. cara, como ele é frio! se luta muito por companhia, por movimento, por vida, mas sempre se pede um pouco de paz no fim do dia, de silêncio. é algo como um mal necessário, como o cansaço ou o sono.

silêncio é tudo, compõe a vida, tá em todos os lugares. entre uma respiração e outra, tá entre dois corpos apertados um contra o outro, tá no céu nublado, na caneca de café, tá em mim. tá em mim e tá corroendo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

plenitude.

por que será que é tão difícil aceitar que o outro está pleno? ou melhor, será que alguém realmente entendo o que é essa tal plenitude? eu definiria, talvez, como "estar aberto a todas as coisas, sem necessitar desesperadamente nenhuma em especial", mas consigo encontrar diversas incoerências na minha descrição. não estou aberto a tudo, ainda preciso desesperadamente de algumas coisas (ou pessoas). mas me sinto pleno, de um jeito meio impossível de explicar. será que tudo isso se deve ao crescimento ou ao passado? ou isso não se deve a nada? por que será que é tão difícil (pra mim) não indagar sobre as coisas, sendo elas boas ou ruins?

segunda-feira, 2 de março de 2009

reveillon.

as palavras inundaram sua boca e ele sentiu que seria a última vez: última vez que teria muito a dizer, última vez que teria oportunidade para faze-lo. as pernas tremiam e uma gota de suor frio percorria seu rosto, estudando vagarosamente sua fisionomia, contemplando suas olheiras e imperfeições. será que, enfim, estaria acabando toda essa novela? Aquilo lhe causara interminável sofrimento, mas, de uma maneira ou de outra, estava tudo terminando... e como aquilo o fazia sentir-se vazio! a idéia de retirar um sofrimento, de remover a pedra do sapato (ou a flecha cravada entre as costelas) parece sempre um alívio, mas até que ponto realmente é? ele não conseguia entender: sentia-se masoquista, mas com o que ele ocuparia seu tempo agora, já que não tinha mais motivo, não tinha mais alguém para botar fé? a gota de suor percorrera completamente o lado direito de sua face e, quando finalmente sua boca se abriu, pronta para deixar escapar litros de palavras, ele entendeu. entendeu e, como por milagre, todas as palavras secaram e morreram na sua língua. ele sabia com o que ocupar seu tempo, ele na verdade já vinha ocupando seu tempo com muita coisa desde que todo aquele enredo começara e terminara, só faltava realmente deixar tudo isso ir. não lhe faltava fibra para superar, aliás, há muito já havia superado... faltava-lhe coragem para seguir em frente, pra dar a cara à tapa de novo. todos os seus projetos, seus irmãos, suas paixões: era tanta coisa que ele tinha, e por uma simples e estúpida covardia, continuava preso no passado, como um museu de mau gosto. a boca seca então se fechou e, para a surpresa de todos, abriu-se num sorriso invejável. Sorriso de quem está completamente perdido, e de certa forma, feliz por isso; um sorriso aliviado e amedrontado, mas, ao mesmo tempo, esperançoso pelo que lhe aguardava num futuro próximo, mais próximo do que ele imaginava.

e foi assim que ele presidiu um funeral vestido de branco: funeral da parte ruim de seu passado, enterrando tudo que ameaçasse tirar seu sorriso de novo. para que tal evento acontecesse de novo, precisaria de... não, acho que nunca aconteceria de novo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

efêmero.

há de se entender que as coisas, às vezes, simplesmente fogem do nosso controle. o tempo passa e muda tudo; muda as coisas, muda as pessoas, muda você. até você, que achou que ia ter sempre a mesma opinião pra tudo. até você que, hoje, pára e olha tudo que você já fez e pensa “como será que eu fui tão idiota?”. por causa dessa passagem do tempo, vem a pior sensação que existe no mundo: a sensação de não conseguir impedir algumas coisas. natural seria que não houvesse essa sensação, já que não existe quem seja onipotente frente a tudo, mas essa sensação vem e destrói tudo. estar sem chão parece tentador perto do que é isso tudo. a grande sorte (ou justiça, dependendo do seu conceito) é que essa sensação dura pouco. sempre se descobre algo que se possa fazer, mesmo se não for ajudar em nada, e normalmente não ajuda. aquela vontade de abraçar o mundo, resolver todos os problemas, manter quem a gente gosta perto e protegido... é frustrante. as mudanças que ocorrem nas opiniões podem afastar os amigos da gente, mas na verdade, é a gente que se afasta, porque a gente mudou também. não é uma coisa unilateral, por mais que todo mundo insista nisso pra se livrar da culpa. a verdade é que o tempo passa e a gente não fica estagnado, e essa é a melhor coisa que existe! todas essas mudanças geram conflitos, crises, dúvidas e dor, mas são essas mesmas mudanças que fazem da gente o que a gente é. o que nos resta (ou nos falta) é a paciência e uma visão mais otimista e menos imediatista. enfim, perceber que essas mudanças sempre trazem coisas boas, que trarão mudanças, que trarão sofrimento, que trarão coisas boas, que...

uma vez me disseram que o tempo cura. só esqueceram de mencionar que ele só consegue quando existe uma cura.


é, o tema mudança tem me atormentado, digamos... muito.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

carvão.

a mutabilidade de tudo que existe é a grande sacada da vida. que graça teria se tudo fosse sempre, sempre igual? as pessoas acabariam enjoando, e olha que isso já acontece mesmo havendo todo esse dinamismo. e acontece pior: as pessoas enjoam umas das outras, uma completa inversão de valores. as pessoas não são "enjoáveis". a busca por coisas novas consome o homem, faz dele combustível e torna insuportável que se viva sempre com o mesmo, buscando sempre coisas iguais. mas é exatamente pelo fato do homem ser o próprio combustível que, na verdade, quando você encontra o tão esperado novo, você já é carvão. você já é inútil, impotente pra dar o certo valor praquilo que você tanto procurou. é realmente um beco sem saída, já que, se não queimarmos procurando algo novo, queimaremos angustiados por viver na mesmice.
one more time, just matter of choice.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

cadeira.

mesmo quando as palavras insistem em não mais fazer sentido, elas soam e ecoam nos cantos desse quarto. claro, cheio, triste. todos os lugares preenchidos, com exceção daquele: aquela trabalhada cadeira ainda ocupa o mesmo espaço, mas não está mais ocupada. a sensação das pessoas é que logo virá alguém para se sentar e começar um novo tempo, mas eu discordo. quadros na parede, por todo o quarto, ilustram a antiga ocupante na sua mais bela forma, fazendo com que todos se lembrem da época em que ela ocupava a tão essencial cadeira. mas, ainda assim, eles têm esperança numa nova era, numa nova moça para preencher aquele vazio tremendo que a antiga provocou. apresentam nomes, possibilidades, criam jeitos e maneiras de fazer as novas moças permanecerem sentadas, mas nada adianta: de alguma forma, nenhuma consegue ficar sentada por mais de duas semanas. isso não os abala, mas me abala tanto que, por muitas vezes, preferi deixar a cadeira vazia. e, mais uma vez, as pessoas do meu quarto não deixam que isso aconteça, e todo este ciclo se renova, por mais eras e eras, moças e moças. não sei por quanto tempo essa cadeira ficará vazia, mas sei que ela há de ser ocupada de novo. e, ainda que demore muito, eu tenho a companhia de todas essas pessoas, moradoras do meu quarto, que, de um jeito ou de outro, ficarão aqui ainda que se afastem, seja pra procurar a “nova ocupante”, seja pra ocupar a cadeira de alguém. a única coisa que nós adoraríamos, mas não podemos, é trazer de volta o que o tempo levou. e, por mais doído que isso seja, é belíssima essa impossibilidade.

“E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e sua vez: você há de ter a sua.”

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

perfil.

entre músicas, cigarros e goles, a vida passou e ele não viu. parado, esperando o metrô, fantasiava que tempos passados voltassem e o fizessem feliz de novo, recompensassem seu esforço. foi de um lado a outro, estudou muito, formou-se, casou-se e teve filhas lindas. mas não era feliz. algo lá dentro não deixava. uma chama pequena, escondida, porém muito insistente queimava aos poucos sua alegria momentânea, e quando menos esperava, se pegava pensando de novo em tudo aquilo que não dera certo. de quem teria sido a falha? obviamente não havia sido sua, ele fez de tudo. pensava em tudo, em todas as variáveis dessa equação que o atormentava e chegou em apenas uma conclusão: algumas coisas são simplesmente aleatórias. não há males que vem para bem. males vem para o mal, caso contrário teriam outro nome. algumas simplesmente acontecem, e ele nada podia fazer. não se fascinava por nada, não via mais magia em suas amizades, perdera toda a vontade mas não podia perdê-la; sua família dependia dele. e aos poucos, foi se desgastando e acordou.
acordou e notou que estava andando. era jovem de novo, vestia-se como antigamente: um all star e uma malha de losangos. ouvia suas músicas favoritas e o dia estava nublado. para ele, nada poderia estar melhor. então, finalmente, percebeu que tudo aquilo tinha que ir embora da sua vida. teria que livrar-se de todos aqueles fantasmas pra ontem, teria que viver uma nova vida e se permitir amar de novo. o ar frio encheu seus pulmões e um sorriso, pela primeira vez em muito tempo, sincero iluminou seu rosto. estava jovem demais pra se entregar, era um garoto cheio de possibilidades. entre músicas, cigarros, goles e sorrisos, ele decidiu que aproveitaria as oportunidades, se apoiaria em seus amigos e se valorizaria mais dali em diante. e foi assim que ele foi o principal responsãvel pela sua própria felicidade.



não podia começar com outro.