entre músicas, cigarros e goles, a vida passou e ele não viu. parado, esperando o metrô, fantasiava que tempos passados voltassem e o fizessem feliz de novo, recompensassem seu esforço. foi de um lado a outro, estudou muito, formou-se, casou-se e teve filhas lindas. mas não era feliz. algo lá dentro não deixava. uma chama pequena, escondida, porém muito insistente queimava aos poucos sua alegria momentânea, e quando menos esperava, se pegava pensando de novo em tudo aquilo que não dera certo. de quem teria sido a falha? obviamente não havia sido sua, ele fez de tudo. pensava em tudo, em todas as variáveis dessa equação que o atormentava e chegou em apenas uma conclusão: algumas coisas são simplesmente aleatórias. não há males que vem para bem. males vem para o mal, caso contrário teriam outro nome. algumas simplesmente acontecem, e ele nada podia fazer. não se fascinava por nada, não via mais magia em suas amizades, perdera toda a vontade mas não podia perdê-la; sua família dependia dele. e aos poucos, foi se desgastando e acordou.
acordou e notou que estava andando. era jovem de novo, vestia-se como antigamente: um all star e uma malha de losangos. ouvia suas músicas favoritas e o dia estava nublado. para ele, nada poderia estar melhor. então, finalmente, percebeu que tudo aquilo tinha que ir embora da sua vida. teria que livrar-se de todos aqueles fantasmas pra ontem, teria que viver uma nova vida e se permitir amar de novo. o ar frio encheu seus pulmões e um sorriso, pela primeira vez em muito tempo, sincero iluminou seu rosto. estava jovem demais pra se entregar, era um garoto cheio de possibilidades. entre músicas, cigarros, goles e sorrisos, ele decidiu que aproveitaria as oportunidades, se apoiaria em seus amigos e se valorizaria mais dali em diante. e foi assim que ele foi o principal responsãvel pela sua própria felicidade.
não podia começar com outro.
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