quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

cadeira.

mesmo quando as palavras insistem em não mais fazer sentido, elas soam e ecoam nos cantos desse quarto. claro, cheio, triste. todos os lugares preenchidos, com exceção daquele: aquela trabalhada cadeira ainda ocupa o mesmo espaço, mas não está mais ocupada. a sensação das pessoas é que logo virá alguém para se sentar e começar um novo tempo, mas eu discordo. quadros na parede, por todo o quarto, ilustram a antiga ocupante na sua mais bela forma, fazendo com que todos se lembrem da época em que ela ocupava a tão essencial cadeira. mas, ainda assim, eles têm esperança numa nova era, numa nova moça para preencher aquele vazio tremendo que a antiga provocou. apresentam nomes, possibilidades, criam jeitos e maneiras de fazer as novas moças permanecerem sentadas, mas nada adianta: de alguma forma, nenhuma consegue ficar sentada por mais de duas semanas. isso não os abala, mas me abala tanto que, por muitas vezes, preferi deixar a cadeira vazia. e, mais uma vez, as pessoas do meu quarto não deixam que isso aconteça, e todo este ciclo se renova, por mais eras e eras, moças e moças. não sei por quanto tempo essa cadeira ficará vazia, mas sei que ela há de ser ocupada de novo. e, ainda que demore muito, eu tenho a companhia de todas essas pessoas, moradoras do meu quarto, que, de um jeito ou de outro, ficarão aqui ainda que se afastem, seja pra procurar a “nova ocupante”, seja pra ocupar a cadeira de alguém. a única coisa que nós adoraríamos, mas não podemos, é trazer de volta o que o tempo levou. e, por mais doído que isso seja, é belíssima essa impossibilidade.

“E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e sua vez: você há de ter a sua.”

1 comentários:

  1. quanto mais se preucupa em ocupar a cadeira, mais tempo ela fica vazia (:

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