silêncio é perigo que corre por todos os lados. chega sorrateiro, afaga e acalenta, mas envenena. envenena de tal maneira que ninguém consegue passar muito tempo em silêncio: ou chora alto, ou grita, ou ri, ou canta. a música. a música não é inimiga do silêncio, ela é próxima dele. suscita tantos sentimentos quanto o próprio silêncio seria capaz de gerar numa mente confusa, perdida. sabe quando aquela música acaba, e aqueles dois míseros segundos entre ela e a próxima se tornam uma eternidade? o silêncio inunda, afoga; ele é prudente, cauteloso e frio. cara, como ele é frio! se luta muito por companhia, por movimento, por vida, mas sempre se pede um pouco de paz no fim do dia, de silêncio. é algo como um mal necessário, como o cansaço ou o sono.
silêncio é tudo, compõe a vida, tá em todos os lugares. entre uma respiração e outra, tá entre dois corpos apertados um contra o outro, tá no céu nublado, na caneca de café, tá em mim. tá em mim e tá corroendo.
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