não sou uma coisa concreta. talvez nunca seja, estou sempre mudando, mas todos nós estamos. sou uma mistura do que me falam, do que eu penso, do que eu acho, do que eu duvido, do que eu quero, do que eu experimento. sou uma mistura dos meus vícios, dos meus amigos, das minhas amadas, das minhas músicas. sou um pouco da comida que gosto e outro pouco de criatividade. sou um pouco de óculos escuros, nuvens, karma. tudo o que eu sou passa por mim de forma imperceptível, e me acrescenta muito. tudo que eu visto, leio, vejo, fotografo, escuto, sinto, sofro, planejo, tudo. tudo. faz parte de mim essa mistura, essa beleza, essa feiúra, esse desgosto constante com quem eu sou. faz parte de mim o pensar excessivo, o café às três da tarde e um banho ao acordar. as bocas, as curvas, os perfumes, a aliança enterrada no meio das tralhas que nem brilha mais e eu nem faço questão. eu sou os outros textos, os outros tênis, os outros toques. eu sou as páginas escritas, todas elas, mas sou ainda mais as páginas em branco.
eu sou uma pessoa desesperada pra se encontrar. ou melhor, pra te encontrar.
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