quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
efêmero.
uma vez me disseram que o tempo cura. só esqueceram de mencionar que ele só consegue quando existe uma cura.
é, o tema mudança tem me atormentado, digamos... muito.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
carvão.
one more time, just matter of choice.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
cadeira.
mesmo quando as palavras insistem em não mais fazer sentido, elas soam e ecoam nos cantos desse quarto. claro, cheio, triste. todos os lugares preenchidos, com exceção daquele: aquela trabalhada cadeira ainda ocupa o mesmo espaço, mas não está mais ocupada. a sensação das pessoas é que logo virá alguém para se sentar e começar um novo tempo, mas eu discordo. quadros na parede, por todo o quarto, ilustram a antiga ocupante na sua mais bela forma, fazendo com que todos se lembrem da época em que ela ocupava a tão essencial cadeira. mas, ainda assim, eles têm esperança numa nova era, numa nova moça para preencher aquele vazio tremendo que a antiga provocou. apresentam nomes, possibilidades, criam jeitos e maneiras de fazer as novas moças permanecerem sentadas, mas nada adianta: de alguma forma, nenhuma consegue ficar sentada por mais de duas semanas. isso não os abala, mas me abala tanto que, por muitas vezes, preferi deixar a cadeira vazia. e, mais uma vez, as pessoas do meu quarto não deixam que isso aconteça, e todo este ciclo se renova, por mais eras e eras, moças e moças. não sei por quanto tempo essa cadeira ficará vazia, mas sei que ela há de ser ocupada de novo. e, ainda que demore muito, eu tenho a companhia de todas essas pessoas, moradoras do meu quarto, que, de um jeito ou de outro, ficarão aqui ainda que se afastem, seja pra procurar a “nova ocupante”, seja pra ocupar a cadeira de alguém. a única coisa que nós adoraríamos, mas não podemos, é trazer de volta o que o tempo levou. e, por mais doído que isso seja, é belíssima essa impossibilidade.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
perfil.
acordou e notou que estava andando. era jovem de novo, vestia-se como antigamente: um all star e uma malha de losangos. ouvia suas músicas favoritas e o dia estava nublado. para ele, nada poderia estar melhor. então, finalmente, percebeu que tudo aquilo tinha que ir embora da sua vida. teria que livrar-se de todos aqueles fantasmas pra ontem, teria que viver uma nova vida e se permitir amar de novo. o ar frio encheu seus pulmões e um sorriso, pela primeira vez em muito tempo, sincero iluminou seu rosto. estava jovem demais pra se entregar, era um garoto cheio de possibilidades. entre músicas, cigarros, goles e sorrisos, ele decidiu que aproveitaria as oportunidades, se apoiaria em seus amigos e se valorizaria mais dali em diante. e foi assim que ele foi o principal responsãvel pela sua própria felicidade.
não podia começar com outro.