quinta-feira, 29 de julho de 2010

torneira.

me identifico com a torneira de água quente da pia do meu banheiro. raramente, os outros encontram utilidade nela, mas uns poucos gostam bastante. toda vez que a abrem, ela dá uma espécie de tossida e faz um som engraçado, exatamente igual a mim quando desabafo, quando resolvo parar de guardar tanta coisa, que somada com todos os cigarros já fumados, me trará um câncer antes da hora. mas por mais defeitos que tenha a torneira, ela tem um diferencial: água quente. ela esquenta, ela deixa um simples ato como lavar o rosto mais suportável. e esse sou eu na vida de (quase) todos que me rodeiam. eu tento estar ali pra deixar as situações mais agradáveis, mais suportáveis. procuro ser uma opção, e não obrigo ninguém a me escolher; gosto de saber que as pessoas são livres, assim como eu. e o calor que a torneira produz é um calor de quem cuida, de quem quer envolver aquele que gosta.

mas, da mesma forma que a torneira de água quente, eu costumo ficar do lado esquerdo e as pessoas até olham pra mim, mas esquecem o que eu tenho aqui dentro.